Nos anos 1950, o sociólogo Antonio Candido passou temporadas entre os moradores do Rio Bonito, no interior paulista, e encontrou ali algo que os livros da época quase nunca contavam: uma vida organizada em torno da parceria, do mutirão, da vizinhança que se ajuda para plantar, colher e atravessar as dificuldades juntos. Essa é a raiz que este festival celebra — não um passado que ficou para trás, mas um modo de estar no mundo que Araçoiaba da Serra segue cultivando, cidade adentro, entre uma prosa e outra.
Décadas depois, foi um artista de bigode e chapéu de palha quem levou esse jeito de ser para as telas de cinema de todo o Brasil. Amácio Mazzaropi pegou o caipira que a cidade grande via como atrasado e devolveu ao país um personagem esperto, que ri por último e carrega a roça consigo mesmo quando pisa no asfalto. Foi ele quem ensinou plateias inteiras a rir com o caipira, não do caipira.
"A cultura caipira está presente em nosso dia a dia — não é mais regra que esteja associada apenas ao rural, mas, principalmente, ao urbano."
O II Festival Caipira de Araçoiaba da Serra nasce dessa mesma virada de chave. A primeira edição, em 2015, reuniu mais de 60 participantes vindos de várias cidades paulistas para os concursos de causo, gastronomia e moda de viola. Passados 11 anos, a praça se abre outra vez para o mesmo convite: contar essa história com orgulho, na primeira pessoa, com viola, causo, comida e memória.
Preservação das tradições, costumes e manifestações artísticas caipiras
Difusão da cultura caipira para um público local e regional
Desenvolvimento do turismo cultural em Araçoiaba da Serra
Educação e conscientização através de documentários, causos e debates
Integração da comunidade e fortalecimento de laços locais
Valorização da diversidade — inclusive afro-brasileira — dentro da própria cultura caipira